Como os Videogames Afetam o Seu Cérebro

 

 

 

 

 

Por Dr. Mercola

O videogame é um passatempo incrivelmente popular, com mais de 150 milhões de usuários regulares, definidos como aqueles que jogam pelo menos três horas por semana. De fato, a maioria dos domicílios (65%) abriga pelo menos uma pessoa que joga videogame regularmente.

Entre as crianças, os videogames têm uma reputação um tanto ruim, em particular pelos efeitos potencialmente negativos causados pela exposição a comportamentos violentos.

Além disso, 71 por cento dos pais disseram à ESA que os videogames desempenham um papel positivo na vida de seus filhos, e 67 por cento deles jogam videogames com seus filhos pelo menos uma vez por semana.

Se você ou seus filhos jogam videogames regularmente, há alguns fatores a serem considerados — desde como isso afeta o tempo que você passa sentado até a exposição à luz azul da tela. Uma pesquisa recente também destaca as mudanças muito reais que jogar videogame pode causar no cérebro, boas ou ruins.

Os videogames desempenham um papel complexo na saúde do cérebro

Uma meta-análise de 116 estudos recentemente publicada na revista Frontiers in Human Neuroscience determinou a “base neural de jogar videogame”, ou os efeitos dos videogames no cérebro. Os autores observaram que:

“Não é incomum ouvir alegações de saúde tanto positivas quanto negativas relacionadas aos VGs [videogames] nos meios de comunicação de massa. Na maioria das vezes, trata-se de declarações não comprovadas e sensacionalistas, baseadas em opiniões de ‘especialistas’, mas sem evidência que as apoie.

Há um interesse em se descobrir os possíveis efeitos da exposição a longo prazo aos VGs e se eles, no geral, são positivos (na forma de benefícios cognitivos, emocionais, motivacionais e sociais)… ou negativos (exposição à violência explícita, contribuição para a obesidade, dependência, deficiências cardiometabólicas etc.).”

Devido ao amplo escopo da pesquisa, os pesquisadores agruparam o estudo em seis seções principais com base em diferentes funções cognitivas e conseguiram revelar efeitos cerebrais tanto positivos quanto negativos relacionados aos videogames. Especificamente:

Atenção — A evidência sugere que os videogames podem beneficiar a atenção, e pessoas que jogam videogames mostram melhora da atenção seletiva, atenção dividida e atenção sustentada.

“Melhora da atenção de baixo para cima e de cima para baixo, otimização dos recursos atencionais, integração entre áreas atencionais e sensório-motoras e melhora da atenção visual seletiva e periférica foram destacadas em um grande número de estudos”, observaram os pesquisadores.

Habilidades Viso-Espaciais — As habilidades viso-espaciais referem-se à capacidade de perceber visualmente a relação espacial entre objetos. Algumas áreas cerebrais diretamente relacionadas às habilidades viso-espaciais e de navegação são maiores em pessoas que jogam videogames, e pesquisas sugerem que tais habilidades podem ser melhores em jogadores regulares.

Carga de trabalho cognitiva — O termo descreve os recursos mentais exigidos por uma pessoa envolvida em uma tarefa específica ou em um determinado momento. Os videogames desempenham um papel na carga de trabalho cognitiva, disseram os pesquisadores, “especificamente, o número de estímulos que aparecem simultaneamente na tela e a complexidade de cada estímulo parecem desencadear respostas diferentes do cérebro.”

Controle cognitivo — O controle cognitivo inclui habilidades como inibição reativa e proativa, mudança de tarefas e memória de trabalho, que podem ser necessárias durante uma sessão de videogame, sendo outra área que os videogames parecem beneficiar.

Aquisição de habilidades — Essa é outra área na qual os jogadores de videogames parecem se beneficiar, com melhora da aquisição de habilidades em geral em quem joga regularmente. Segundo os pesquisadores, “é provável que a exposição a uma tarefa primeiramente leve a um aumento da atividade nas áreas associadas, mas, em última análise, conforme o desempenho melhora após repetidas exposições, menos recursos corticais são necessários para a mesma tarefa”.

Um dos estudos incluídos na meta-análise observou especificamente que habilidades aprendidas quando se joga videogames podem ser transferidas para a vida real:

“Foi demonstrado que jogar videogames por apenas 10 a 20 horas melhorou o desempenho em diversas tarefas de atenção e percepção… e em tarefas que exigem controle executivo. Tal evidência levou ao desenvolvimento de videogames que supostamente melhoram a memória, a atenção, a velocidade de processamento e o desempenho na vida diária…”

O lado negativo dos videogames para o cérebro

Embora leve potencialmente a melhora nas áreas da atenção, controle cognitivo e habilidades viso-espaciais, entre outros benefícios, o lado negativo dos videogames pode ser seus efeitos nas áreas de processamento de recompensa do cérebro.

Muitas dessas áreas mostraram-se afetadas em pessoas dependentes de videogames, “um distúrbio do controle de impulsos com consequências psicológicas, semelhante a outros transtornos de dependência, principalmente os que não envolvem substâncias, como a prática patológica de jogos de azar”, observou o estudo.

O “distúrbio de jogos na internet” foi sugerido como um novo diagnóstico psiquiátrico a ser incluído na última edição do Manual Estatístico e Diagnóstico de Distúrbios Mentais da Associação Americana de Psiquiatria, embora outros tenham sugerido a inclusão de tal dependência na categoria mais ampla de “dependência da internet”.

O interessante é que os pesquisadores observaram diferenças nítidas no cérebro de pessoas dependentes de videogames em comparação a jogadores profissionais e especialistas, diferenças que persistiram mesmo depois do controle da quantidade de tempo gasto jogando videogames. Os padrões neurais exibidos por jogadores dependentes de videogames eram indicativos de um desequilíbrio no sistema de recompensas cerebral.

A outra potencial desvantagem é a exposição a conteúdo violento, que é um tema prevalente em muitos videogames para adultos. “É provável que a repetida exposição a conteúdos violentos desencadeie processos de dessensibilização que afetam áreas ligadas ao processamento de emoções e da atenção”, escreveram os pesquisadores.

Uma outra pesquisa tentou isolar algumas das variáveis que podem influenciar o uso problemático versus o não problemático do videogame entre estudantes do ensino médio e revelou que os tipos de videogame mais frequentemente responsáveis pelo uso problemático eram jogos de interpretação de papéis e de tiro em primeira pessoa.

Nesse estudo, consequências negativas dos jogos de videogame foram relatadas mais frequentemente por meninas que por meninos e incluíram:

  • Distúrbios alimentares
  • Distúrbios de sono e visão
  • Conflitos com os pais
  • Perda de tempo
  • Falta de interesse escolar

Jogar videogames encoraja o fluxo?

O fluxo, de acordo com o psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, é o segredo da felicidade e ocorre quando você está completamente absorvido em uma atividade (que geralmente envolve criatividade).

Quando você está imerso no fluxo, seu senso de tempo fica distorcido porque quase todas as vias disponíveis de seu cérebro estão dedicadas à atividade em questão, afirma Csikszentmihalyi. Enquanto envolver-se em atividades de consciência plena e meditaçãopode levá-lo a um estado mental de fluxo, o mesmo pode acontecer com passatempos de que você gosta, como tricô e, talvez, jogar videogames.

De acordo com a análise em destaque:

“Os VGs fornecem o contexto apropriado no qual os estados de fluxo são encorajados a acontecer, uma vez que um feedback é oferecido continuamente e o nível de dificuldade é programado para aumentar progressivamente, para corresponder às habilidades cada vez melhores do jogador. Portanto, os VGs são candidatos perfeitos para operacionalizar os componentes envolvidos na teoria do fluxo.”

Uma desvantagem desse aspecto pode ser que a pesquisa mostra uma ligação entre mais estados de fluxo e mais tempo jogando videogames, o que, por sua vez, levou adolescentes a dormir mais tarde e, potencialmente, não dormir o suficiente.

Além disso, outro estudo revelou que experimentar um estado de fluxo enquanto se joga videogame pode apontar para um aumento do risco de dependência. Foi observado na pesquisa que um fator do fluxo em particular — a percepção de tempo alterada durante o jogo — foi um preditor significativo da dependência de videogames.

Os videogames para treinar o cérebro são benéficos?

Os videogames para “treinar o cérebro” são um nicho de mercado em rápido crescimento e que tem como alvo os idosos americanos que buscam aprimorar sua memória, atenção e capacidade de resolver problemas ao dar ao cérebro um “treinamento” mental. A Lumosity é uma das empresas que oferecem jogos de treinamento cerebral com suposta comprovação científica de que melhorariam a cognição.

No entanto, quando pesquisadores testaram o programa, oferecendo dez semanas de treinamento com jogos da Lumosity ou da internet que não afirmam especificamente que oferecem benefícios de treinamento cerebral a um grupo de jovens adultos, os resultados foram decepcionantes.

Nenhuma vantagem foi observada no grupo que usou jogos da Lumosity em comparação ao grupo controle. Os participantes não apresentaram melhora significativa da memória, raciocínio ou outras habilidades cognitivas nem redução na tomada de decisões arriscadas.

A Lumos Labs, empresa por trás da Lumosity, também foi multada em dois milhões de dólares em 2016 pela Comissão Federal de Comércio dos EUA por declarações enganosas de que seu produto poderia ajudar a retardar o declínio da memória relacionado ao envelhecimento ou melhorar o desempenho cognitivo.

Os videogames expõem você à luz azul da tela

A exposição a telas de computadores retroiluminadas por LED ou TVs à noite reduz significativamente a produção de melatonina e a sensação de sonolência. Quando o cérebro “vê” luz azul à noite, a mensagem conflitante pode resultar em sérios problemas de saúde.

Em 2011, por exemplo, pesquisadores descobriram que a exposição noturna a telas de computador iluminadas por LED afeta a fisiologia circadiana. Entre 13 homens jovens, a exposição durante cinco horas a uma tela iluminada por LED à noite reduziu significativamente a produção de melatonina e a sonolência.

No entanto, o problema vai muito além do sono. Os LEDs praticamente não possuem a benéfica luz infravermelha, além de terem um excesso de luz azul que gera espécies reativas de oxigênio (EROs), prejudicando a visão e possivelmente levando à degeneração macular relacionada à idade (DMRI), que é a principal causa de cegueira entre idosos nos EUA.

As luzes de LED também podem exacerbar a disfunção mitocondrial, levando a doenças crônicas que vão de distúrbios metabólicos ao câncer. Portanto, se você joga videogames à noite, é essencial bloquear sua exposição à luz azul ao fazê-lo. Se você jogar no computador, pode instalar um programa que diminui automaticamente a temperatura da cor da tela.

Meu preferido é o software Iris. Se você joga videogames na TV, use óculos bloqueadores de luz azul após o pôr do sol.

Os videogames podem aumentar o sedentarismo

O outro problema de jogar videogames é que normalmente se trata de um comportamento sedentário (a exceção são os jogos mais recentes que estimulam o movimento físico). O sedentarismo em excesso apresenta riscos corporais que podem contribuir para a obesidade e taxas crescentes de doenças crônicas tanto na infância quanto na vida adulta.

Por exemplo, passar muito tempo sentado afeta significativamente a função cardiovascular e metabólica. Isso aumenta o risco de ataque cardíaco, diabetes tipo 2, insônia, artrite e certos tipos de câncer — e isso é apenas a ponta do iceberg.

Ficar sentado por longos períodos de tempo aumenta o risco de morte prematura. Isso é particularmente preocupante dado que você pode estar vulnerável a esses riscos ainda que se exercite regularmente.

As pesquisas mostram até mesmo que, entre meninos de 15 a 19 anos, quanto maior o tempo gasto em frente a telas, incluindo jogando videogame, menor é a densidade mineral óssea. O uso excessivo de eletrônicos tira muitas oportunidades de se engajar em atividades que envolvem levantamento de peso, as quais são fundamentais para a constituição de ossos fortes.

Por isso, é importante estar atento ao tempo que você passa jogando videogames e mudar a posição do corpo — de sentado para de pé e até mesmo se deslocando — diversas vezes enquanto joga.

No geral, os videogames podem ser um passatempo seguro e divertido, com potencial para oferecer alguns benefícios ao cérebro, mas esses benefícios devem ser pesados contra os riscos de se jogar, tais como dependência e exposição à violência. Parte deles pode ser atenuada ao se optar por jogos não violentos, mas ainda assim é importante limitar o tempo que você passa jogando e equilibrar o jogo com outras atividades mais ativas e sociais.

Link Original: https://portuguese.mercola.com/sites/articles/archive/2019/01/22/como-video-games-afetam-cerebro.aspx?utm_source=facebook.com&utm_medium=referral&utm_content=facebookmercolaport_lead&utm_campaign=1222019_como-video-games-afetam-cerebro&fbclid=IwAR1A7ssDKLHrPF2A3fW0GNgYJRUL4VCIVXDJs2u199dYZ5dgiVBDTS8DY6A

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