Por que preferimos viver em um mundo de aparências?

 

 

 

 

 

 

Michel de Montaigne – filósofo francês – foi brilhante ao dissertar sobre a Vaidade. O pecado da enganação e das aparências em que o principal enganado é sempre o vaidoso.

Antes de passar para o próximo parágrafo, acho importante frisar que usei a palavra ‘’pecado’’, não por ser religioso, mas porque acho chique.

O cerne da questão trazida por Montaigne é:  “Por que preferimos viver em um mundo de aparências?” A resposta pode ser traumática, não sou eu quem vai papeá-la, não quero ser um estraga prazeres, pense você consigo mesmo.

Dostoievski, em seu livre Crime e Castigo, mostra-nos algumas evidências que podem fomentar o nosso entendimento. Seus personagens, apesar de pobres, fazem esforços mirabolantes para manter as aparências de uma família com boa condição financeira.

Alguns dos leitores devem estar se perguntando quem é Dostoievski, pois bem, usarei um exemplo mais moderno para elucidar essa questão de maneira mais clara.

Tenho certeza de que todo mundo aqui já assistiu Everybody Hates Chris, não entrarei em minúcias, porém todo mundo deve se lembrar da Rochelle (interpretada por Tichina Arnold) e o seus esforços acrobáticos para fazer com que os seus filhos não pareçam mais pobres do que os filhos dos outros.

É um problema da sociedade de consumo na qual a felicidade é associada ao dinheiro e à ostentação. Qualquer funkeiro meia boca comprova essa tese ou algum certo prefeito de São Paulo que sonha com o dia em que todo brasileiro usará Camisas Ralph Lauren.

Lembro-me de um amigo ter me revelado em uma conversa o motivo de nunca ter dirigido o carro do pai dele, era um carro velho, portanto, inadequado para os parâmetros de felicidade de uma sociedade em que tudo tem data de validade. Ele não queria parecer pobre; claro, ele não disse isso, mas é a inferência lógica da qual a sua afirmação carrega.

Há quem diga que um bom celular conquista mais mulheres do que uma boa companhia.

Um dia, quando eu estava caminhando pelos corredores da minha faculdade, perscrutaram-me: “Você só anda de sandália, não tem tênis?” com uns rostos estarrecidos, parecia até que eu tinha quebrado a maior lei da física, contudo, era apenas uma lei do capitalismo.

Você é coagido a consumir, os fiscalizadores da normalidade estão te vigiando a todo o momento.

Para esquadrinhar a psicologia social de um povo, autores como Freud, usaram sempre a literatura como referência, a arte é a melhor maneira de expressar os nossos sentimentos mais profundos. Posto isso, é compreensível que a literatura brasileira esteja cercada de personagens fingidos e hipócritas, e conhecê-la, talvez seja uma das melhores maneiras de conhecermo-nos.

O livro de Eclesiastes, na bíblia, em um de seus versículos (não me lembro qual) versa: ”Vaidade das vaidades. Tudo é vaidade”.  É talvez a frase chave para entender que mesmo quando afirmamos que somos humildes,  poderemos estar, na verdade, direcionando a nossa vaidade para a própria falta dela, orgulhando-nos, e , assim, consubstanciamos a  nossa vaidade. Se não somos bonitos fisicamente, pelo menos somos inteligentes ou humildes.

O filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé chega a dizer que a vaidade é a mentira que nós contamos a nós mesmos, portanto, a mais vil forma de enganação e conclui:

Narciso só sobe ao altar, se for pra se casar com seu espelho.

Link Original:http://genialmentelouco.com.br/2016/10/31/por-que-preferimos-viver-em-um-mundo-de-aparencias/

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