De acordo com um estudo canadense recente, é mais emocionalmente prejudicial ser ignorado no local de trabalho do que ser intimidado nele

Oliver Burkeman
Sábado 21 de junho de 2014 04.00 EDT Publicado pela primeira vez no sábado 21 de junho de 2014 04.00 EDT

De acordo com um estudo canadense recente, é mais emocionalmente prejudicial ser ignorado no local de trabalho do que ser intimidado nele.

Essa descoberta levantou algumas sobrancelhas: afinal, o bullying é um ato abertamente hostil, enquanto nos ensinam desde a infância que fechar os olhos para aqueles que não podemos suportar é compartamento civilizado. Para uma explicação simples desse resultado aparentemente estranho, consideremos o psicólogo pioneiro Oscar Wilde: “Existe só uma coisa no mundo peor do que ser objeto de fofoca, e isto é não ser objeto de fofoca”. A perseguição no local de trabalho pode ser horrível, mas tem recompensa, embora bastante infeliz: pelo menos você pode ter certeza de que as pessoas pensam que vale a pena tiranizá-lo. A pessoa ignorada (o ignorado?) carece até mesmo deste fonte de consolo. Muitas vezes tenho pergunto por que os candidatos a comediante em noites de microfone aberto se submetem a vaias – mas talvez seja por isso. Ninguém deve gostar duma audiência de bêbados; mas é, afinal de contas, uma audiência!

Uma pessoa que não teria se surpreendido com este estudo é Idries Shah, filósofo nascido na Índia que faleceu em 1996. Sob quase tudo que os seres humanos fazem, ele argumentava, existe um motivo não reconhecido: o “fator atenção”. A teoria é que precisamos de atenção quase tão desesperadamente quanto comida e calor, só que não percebemos, e por isso não conseguimos entender a realidade de muitos encontros cotidianos “serem de fato situações de atenção disfarçada”. Em uma negociação comercial você pode pensar que seu único motivo é o de ganhar; Em uma discussão com um cônjuge, você pode acreditar que seu principal objetivo é o de conseguir que a outra pessoa mude. No entanto, em ambos os casos, você pode realmente estar sendo motivado pela tentativa de satisfazer sua urgente necessidade de atenção.

Crucialmente, “a atenção pode ser hostil” ou amável “e ainda satisfazer o apetite pela atenção”. Uma mal-humorada discussão entre amigos continua sendo uma forma de engajamento: no próprio ato de disputar, a pessoa reconhece a importância da outra. A pesquisa, efetuada após a passagem de Shah, o apoia: a neurociência sugere que o isolamento social afeta o cérebro de forma semelhante à dor física, enquanto o ostracismo tem sido identificado como fator chave em alguns dos mais sangrentos massacres nas escolas estounidenses. Será que os assassinatos em massa seriam, por vezes, uma tentativa horrivelmente destrutiva de lembrar ao mundo que o assassino existe?

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Shah acreditava que nosso fracasso em entender nossa necessidade de atenção frequentemente nos traz problemas ao deixar-nos à mercê de qualquer um, por mais desagradável que seja, que esteja disposto a prestar atenção. Quando as pessoas se sentem ignoradas, um líder político que as faça sentir reconhecidas adquire apoio, mesmo que seja um tirano egomaníaco sem nenhum plano para melhorar suas vidas. Um companheiro dominante, ou de outra forma abusiva, sem dúvida, lhe dará muita atenção, mesmo que ele ou ela o destrua. Pior ainda, você estará predisposto a acreditar quando lhe disserem que é para seu próprio bem: quando as pessoas não têm a atenção necessária, Shah escreveu: “são vulneráveis à mensagem que freqüentemente acompanha o exercício de atenção em relação a eles”.

Pensamos em “busca de atenção” como uma falha de carácter. Comece a vê-lo, em vez disso, como uma necessidade universal – encontrada de maneira saudável ou não saudável – e muito coisa cai no lugar: as calamidades pessoais de gente famosa, gente malvada operando na internet, bem como muitas peculiaridades do seu parceiro ou colegas que são, de outra forma, inexplicáveis. (Até a própria.) A vida é uma noite de microfone aberto, e todos estamos apenas tentando ganhar atenção.

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Thomasine F-R.

Link Original: http://www.idriesshahfoundation.org/wp-content/uploads/2017/06/ISFarticleByOliverBurkeman.PressButtonArticle4ISF.pdf

 

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