Efeitos da Terapia Cognitivo-Comportamental no Cérebro: Um Estudo

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Como sabemos, o cérebro humano apresenta uma extrema capacidade de mudança, isto é, decorrente de estimulações vindas do ambiente, da aprendizagem e, finalmente, das emoções, nossas estruturas cerebrais reagem prontamente a vários tipos de situações.

Assim, diferentemente do que se sabia décadas atrás, nosso cérebro está em constante interação com o meio ambiente, sendo afetado de uma maneira ininterrupta através das experiências que temos em nosso cotidiano. Portanto, longe de ser uma estrutura finalizada, nossa mente e nosso cérebro estão em profunda e contínua transformação.

Um exemplo foi demonstrado por uma investigação junto a motoristas de taxi da cidade de Londres. Como se sabe, para se desempenhar bem essa função, os motoristas devem, obrigatoriamente, memorizar cerca de 320 rotas que passam pela referida cidade, composta por aproximadamente 25 mil ruas e mais de 20 mil locais de interesse público. (1)

Comparados a um grupo controle (o de não motoristas), investigações de ressonância magnética no cérebro mostraram um aumento expressivo do volume do hipocampo posterior – região associada à memória, comprovando assim a capacidade de mudança do cérebro dos taxistas, o que ocorreu, inclusive, na fase adulta.

A investigação

Tendo isso em mente, um grupo de pesquisadores procurou verificar como psicoterapia cognitivo-comportamental poderia afetar o volume do cérebro e sua atividade.

Assim, o foco se concentrou em pacientes com ansiedade social – um dos problemas mais comuns de saúde mental.

O estudo recrutou 26 indivíduos que foram tratados com terapia cognitivo-comportamental (fornecidas através de orientações dadas pela internet) por um período de nove semanas. (2)

Assim, antes e depois do tratamento, os cérebros dos pacientes foram examinados por ressonância magnética.

O resultado foi bem interessante.

Quanto mais expressiva foi a melhora registrada junto aos pacientes tratados, menor fora o tamanho da amídala ao final da intervenção em psicoterapia, se comparado ao grupo controle.

Vale lembrar que a amídala cerebral é aquela região associada com a manifestação das emoções, ou seja, quanto maior for o volume da amídala cerebral, nos casos de ansiedade social, maior será a severidade dos casos.

Portanto, após o tratamento, verificou-se uma reorganização importante, o que resultou em um menor volume da substância cinzenta e da responsividade neuronal das amídalas, contribuindo para um menor nível de ansiedade.

O estudo sugere então que a redução do volume da amídala propiciou uma redução expressiva e direta da atividade cerebral dos pacientes tratados com a psicoterapia.

Conclusão

É por essa e tantas outras razões que a psicoterapia moderna pode ser denominada como aquela que oferece, efetivamente, uma “fala curativa” aos pacientes. Com direito, inclusive, a alterações cerebrais significativas.

Embora exista hoje um número expressivo de pessoas que ainda é bastante refratária a esse tipo de tratamento, a psicoterapia cognitivo-comportamental – considerada padrão ouro para tratar 85% dos problemas de saúde mental -, ainda se mostra uma das melhores opções. (3)

 



 

Link original: http://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/2016/03/29/efeitos-da-terapia-cognitivo-comportamental-no-cerebro-um-estudo/

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